O meio rádio, desenvolvido
no início do século passado como tecnologia beligerante
de comunicação, e a radiodifusão, fruto da
idéia de se associar à transmissão radiofônica
uma mensagem com destinatário popular, chegou a ter previsões
nada otimistas dos cientistas da época, que garantiam que
"era um veículo sem futuro".
Passados mais de 80 anos, o meio rádio, - utilizado
hoje em comunicações da terra com o espaço,
exatamente como previa o Padre Landell de Moura no século
passado - e a radiodifusão em geral estão mais
consolidados do que nunca. O meio rádio não só
permite a intercomunicação entre as naves espaciais,
mas possibilita que haja troca de informações
menos complexas entre dois computadores sem fio.
Os trabalhos analisando o rádio - como meio e como transmissor
de mensagens - vem brotando tanto com assinatura de pesquisadores
da área como de profissionais que atuaram e atuam no
setor, consolidando um veículo que até poucos
anos não era tema de análise, a não ser
pelo mercado. O rádio está circulando com força
e velocidade nunca vistas no organismo mundial que é
a sociedade globalizada.
Aliás, o rádio foi justamente o primeiro veículo
eletrônico de massa a romper as fronteiras territoriais,
e a difundir mensagens intercontinentais. A evolução
das transmissões radiofônicas provocou e continua
provocando revoluções na área tecnológica
e repercutindo também, por óbvio, no modo de "fazer
rádio".
No começo, as primeiras emissoras preenchiam o espaço
transmitindo discursos, lendo jornais no ar e rodando músicas,
com a voz grave e pontuada dos locutores e toda a pomposidade
que a época exigia. A associação da imagem
e do som, mérito do cinema que depois teve o modelo seguido
pela televisão, causou uma transformação
no modo de transmitir informações pelo rádio.
A linguagem se alterou, a pomposidade deu lugar ao informal,
as emissoras se aproximaram das comunidades que eram em verdade
suas audiências cativas e passaram a transmitir dali com
seus repórteres. A chegada da Internet, abrindo a possibilidade
de uma convergência midiática nunca vista com a
sobreposição do áudio, imagens e texto,
fez com que a radiodifusão se preocupasse em aproveitar
ainda mais as contribuições dos ouvintes. Ouvinte
não era só para ouvir, era também falante,
para intervir e contribuir no processo.
Hoje a radiodifusão se estabelece como a forma de comunicação
mais democrática a par de ainda merecer definição
de políticas que garantam a sua evolução.
Se a radiocomunicação é tão somente
um meio para transmitir sinais, a radiodifusão tem se
firmado, a cada instante, como extensão do homem. Ele
pode ouvir, mas também pode falar. Essa possibilidade,
de certa forma, começa a permitir que a Teoria do Rádio,
de Bertold Brecht (1917-1932), "de que o rádio seria
um grande veículo se não apenas possibilitasse
ouvir, mas também falar", saia desse âmbito
para se implementar na prática.
No entanto, Brecht fez também um alerta que jamais um
comunicador de rádio deve esquecer: "um homem que
tem algo a dizer e não encontra ouvintes está
em má situação. Mas pior ainda estão
os ouvintes que não encontram quem tenha algo a dizer-lhes".
(1 Referência à afirmação do matemático
e físico inglês Lord Kelvin, no início do
século passado - pouco depois de Guglielmo Marconi transmitir
pela primeira vez sinais telegráficos sem fio em 1901
- de que o rádio era um veículo sem futuro)
Texto de Luciano Klöckner